Pernas arqueadas, pés “para dentro”, joelhos que se tocam ao caminhar: é comum que pais e responsáveis se preocupem quando percebem alguma diferença no jeito de andar ou de se movimentar dos filhos.
Um ponto positivo é que grande parte dessas alterações faz parte do desenvolvimento normal do esqueleto infantil e se resolve espontaneamente com o tempo.
Ainda assim, é importante saber diferenciar o que é esperado em cada fase daquilo que realmente merece uma avaliação com um ortopedista pediátrico. Neste artigo, explicamos os principais marcos do desenvolvimento ortopédico infantil e os sinais de alerta que não devem ser ignorados.
O que é o desenvolvimento ortopédico infantil?
O desenvolvimento ortopédico infantil é o processo de amadurecimento dos ossos, articulações, músculos e da postura da criança, que ocorre de forma gradual desde o nascimento até a adolescência.
Essa evolução segue um padrão relativamente previsível, mas com variações individuais normais, o que torna essencial o acompanhamento pediátrico regular, especialmente nos primeiros anos de vida.
Durante essa jornada, é natural que a criança passe por fases com alinhamento diferente das pernas, formato variável dos pés e mudanças no jeito de caminhar. Conhecer essas etapas ajuda a família a entender o que é esperado e evita preocupações desnecessárias.
Principais marcos do desenvolvimento ortopédico por fase
Primeiros passos (por volta de 1 a 2 anos)
Nessa fase, é comum que os bebês apresentem pernas arqueadas (genu varo fisiológico), resultado do posicionamento dentro do útero. Esse formato tende a se corrigir naturalmente à medida que a criança ganha força muscular e passa a caminhar com mais firmeza.
Primeira infância (2 a 4 anos)
É frequente que, nessa idade, as pernas passem por uma fase inversa, com os joelhos se aproximando um do outro (joelho valgo fisiológico) e os pés parecendo mais “achatados”, sem o arco plantar bem definido. O chamado pé plano flexível é extremamente comum e, na maioria dos casos, não causa dor nem limitação.
Infância (5 a 8 anos)
Nessa fase, o alinhamento das pernas tende a se estabilizar, aproximando-se do padrão que a criança apresentará na vida adulta. O arco plantar também costuma se tornar mais evidente. É um bom momento para uma avaliação de rotina, caso ainda não tenha sido feita.
Pré-adolescência e adolescência (a partir dos 9 anos)
Com o estirão de crescimento, é importante ficar atento a mudanças posturais, como assimetrias na altura dos ombros ou da cintura, que podem ser sinais iniciais de escoliose. Esse também costuma ser o período em que aumentam as lesões relacionadas à prática esportiva.
Sinais de que vale a pena procurar um ortopedista pediátrico
Embora a maioria das variações no desenvolvimento seja transitória e benigna, alguns sinais indicam que uma avaliação especializada é recomendada:
- Assimetria entre os dois lados do corpo (um pé, uma perna ou um ombro visivelmente diferente do outro)
- Alteração no jeito de andar que persiste, piora com o tempo ou vem acompanhada de dor
- Dor articular ou óssea que se repete, especialmente se limita a criança em atividades do dia a dia
- Pé chato rígido, ou seja, que não se modifica quando a criança fica na ponta dos pés
- Joelhos muito arqueados ou muito próximos, fora da faixa etária em que isso é considerado fisiológico
- Diferença perceptível no comprimento das pernas
- Sinais de possível escoliose, como ombros ou omoplatas em alturas diferentes
- Atraso significativo para começar a andar em relação aos marcos esperados
- Queixas frequentes de cansaço nas pernas ou recusa em caminhar longas distâncias
Nenhum desses sinais, isoladamente, significa necessariamente um problema grave. Mas eles são o critério para buscar uma avaliação e obter um diagnóstico mais adequado, em vez de esperar para ver se a situação “passa sozinha”.
Como funciona a avaliação ortopédica pediátrica?
Na consulta, o ortopedista realiza uma anamnese detalhada com os pais ou responsáveis, buscando entender o histórico de desenvolvimento da criança, e faz um exame físico completo, observando o alinhamento das pernas, o formato dos pés, a marcha e a postura da coluna.
Quando necessário, exames de imagem complementares podem ser solicitados para confirmar o diagnóstico e orientar a conduta mais adequada, que pode envolver apenas observação e acompanhamento periódico, orientações de calçado e atividade física, ou, em casos específicos, tratamentos direcionados.
Acompanhamento é a chave para o desenvolvimento saudável
Mais importante do que tentar identificar sozinho se algo está errado é manter o acompanhamento pediátrico e ortopédico regular. Muitas alterações que preocupam os pais fazem parte do desenvolvimento normal e se resolvem sem qualquer intervenção, mas apenas uma avaliação especializada pode confirmar isso com propriedade e, quando necessário, iniciar o tratamento adequado o quanto antes.
Fique atento aos sinais e não deixe a observação passar despercebida
Cada criança tem seu próprio ritmo de crescimento, e reconhecer os marcos esperados em cada fase ajuda a família a saber quando apenas observar e quando buscar uma avaliação mais aprofundada. Diante de qualquer dúvida sobre o desenvolvimento ortopédico do seu filho, o mais indicado é conversar com um ortopedista pediátrico.
Se você notou alguma alteração no jeito de andar, na postura ou no alinhamento das pernas do seu filho, agende uma avaliação:
📞 (11) 98907-2386































